Psicologia Cognitiva – Envelhecimento e Memória na Terceira Idade

Resumo: No decorrer da vida, são vários os processos cognitivos que declinam. Um deles é a memória, função que permite o armazenamento de informações, cuja finalidade é cobrir outras funções como a de reconhecimento e evocação. A presente pesquisa teve como objetivo verificar se a capacidade cognitiva da memória de reconhecimento de curto e de longo prazo é influenciada pelos efeitos do envelhecimento na terceira idade.

Trata-se de uma pesquisa de campo, de natureza original, com abordagem quanti-qualitativa, exploratória e descritiva, apresentando como princípio o método dedutivo. Foram selecionados 17 idosos de ambos os sexos, com idade entre 60 a 79 anos, associados ao grupo da terceira idade de um município do interior de Rondônia. Os participantes foram subdivididos em grupo com no máximo cinco integrantes cada, para realização da aplicação da Bateria Geral de Funções Mentais (BGFM-4), a fim de avaliar e mensurar a memória de curto e de longo prazo, por meio de tarefas de reconhecimento de vinte figuras geométricas coloridas que foram empregadas para a memorização. Os resultados mostram que as variáveis como gênero, faixa etária, escolaridade e ocupação estiveram relacionadas ao desempenho cognitivo dos participantes, apresentando capacidades cognitivas satisfatórias para o teste avaliado.

Conclui-se que, independente da classificação do nível de memória, os idosos mantiveram-se no nível adequado em relação à memória de curto e longo prazo, o que demonstra que o envelhecimento, até o momento do ciclo de vida dos idosos não alterou significativamente a capacidade cognitiva da memória de reconhecimento.

Palavras-chave: Envelhecimento, Terceira Idade, Memória de Reconhecimento.

1. Introdução

Nos últimos 50 anos, estudos sobre o envelhecimento cognitivo humano tem avançado significativamente (YASSUDA et al., 2006). Pesquisas documentam declínio na memória ao longo do envelhecimento, enfatizando que certos déficits de memória fazem parte do envelhecimento saudável.

Partindo dessa premissa, o interesse por esta pesquisa surgiu a partir de trabalhos realizados com o público da terceira idade ao longo do curso de graduação em psicologia, por meio de projetos e estágio supervisionado, somado ao fato de ser um público com maior vulnerabilidade a incidência de enfermidades cognitivas, em especial problemas relacionados à memória.

Nesse sentido, a presente pesquisa teve como objetivo verificar se a capacidade cognitiva da memória de reconhecimento de curto prazo e de longo prazo é influenciada pelos efeitos do envelhecimento na terceira idade. Para tanto, foram testadas as hipóteses de correlação entre nível de escolaridade, gênero, faixa etária, bem como entre idosos que exercem atividades remuneradas e os que são aposentados.

A condução desse estudo e sua importância se justificam, sobretudo, pelo fato de contribuir com pesquisas na área da psicologia e gerontologia, em virtude, de apresentar subsídios que permitirão desenvolver novas intervenções relacionadas à capacidade cognitiva da memória de reconhecimento, colaborando para a promoção da saúde e autonomia dos idosos.

Para melhor compreensão dos dados segue a contextualização teórica dos conceitos sobre velhice e terceira idade, cognição e envelhecimento, memória de reconhecimento, seguidos da metodologia utilizada para realização desse estudo, bem como da apresentação, discussão e conclusão dos resultados da pesquisa.

2. Da Velhice para a Terceira Idade

A concepção de velhice como uma fase da vida nem sempre esteve presente na história humana. O termo velhice surgiu entre os séculos XIX e XX, a partir de uma série de mudanças específicas, assumindo diferentes discursos, passando a ser considerada como etapa diferenciada da vida (SILVA, 2008).

Desse modo, conforme exposto por Carvalho (2006), o processo de envelhecimento, assim como a fase da vida velhice, são caracterizados pelo declínio das funções biológicas. Porém, o envelhecimento está relacionado a múltiplos fatores como fisiológicos, cognitivos, ambientais, sociais e culturais, atingindo diversos sistemas do organismo, observadas em mudanças no desempenho de algumas habilidades e capacidades cognitivas.

Diante desses fatores que, a experiência de envelhecer tem passado por várias transformações nos últimos anos, alterando assim as imagens sociais, os desafios e as identidades ligadas a esse processo de envelhecimento (PEREIRA, 2006).

Partindo desse contexto, surge no final dos anos 60 na França, o termo ‘terceira idade’, com a finalidade de atribuir aos idosos predicados juvenis e dinâmicos, uma nova identidade ligada à liberdade, ao lazer e a atividade. Apresentando-se como uma mudança de atitude em que o idoso expressa novos padrões de comportamento de uma geração que se apo­senta e envelhece ativamente (ALBERTE, 2009).

Refere-se ainda a uma opção de vida, um estilo independente de viver a velhice, o qual todos podem aderir. Assim, não existe um ponto determinado que caracterize o ficar ‘velho’ (STUART-HAMILTON, 2002).

3. Cognição e Envelhecimento

Cognição é o termo empregado para descrever o funcionamento mental das habilidades cognitivas as quais são influenciadas por características pessoais, como idade, nível de escolaridade, interesses, saúde, atividades que o indivíduo desenvolve, a quantidade de estímulos a que é exposto, além de aspectos psicoemocionais e socioculturais (BEZERRA, 2006).

Nessa perspectiva, esse processo de envelhecimento tem sido considerado tendencialmente, como sendo alterações decorrentes ‘da deterioração’, ‘do declínio’ ou ‘da degradação’. Essas denominações devem ser utilizadas com muita cautela, pois são vários os fatores possíveis de mensurar as atividades cognitivas.

Dessa forma, deve ser considerada a natureza do teste de avaliação cognitiva que é utilizado, pois o resultado representa uma melhora de desempenho ao longo da idade. No entanto, não significa uma piora, como o que ocorre no caso de uma deterioração funcional (ABREU, 2000).

Os idosos mantêm as funções cognitivas (memória, atenção e percepção) preservadas ao longo da vida. Nesse sentido, com o envelhecimento não ocorrem necessariamente alterações na vida cotidiana de todas as pessoas idosas e seus familiares, pois em certos casos devem ser levado em consideração as características de vida dessa pessoa. Contudo, existem idosos que evoluem com alterações cognitivas, podendo ser desde comprometimentos cognitivos leves a quadros demenciais graves (CARVALHO, 2006).

4. Memória de Reconhecimento

Segundo Penna (2001), o termo memória identifica-se como um processo de armazenamento de informações, cujas funções são cobrir outras funções como as de reconhecimento e evocação, as quais supõem executar condições de acesso as informações armazenadas.

Enfatiza ainda que a noção de esquecimento está vinculada à experiência de tempo e da capacidade de ordenação e localização das informações evocadas.

A memória de reconhecimento caracteriza-se pela capacidade em identificar um estímulo, objeto, pessoa ou situação como algo conhecido ou já vivido anteriormente. (RUEDA; CASTRO; RAAD, 2011). Para Tonglet (2007), são essenciais para o processo de memória de reconhecimento a utilização dos mecanismos de familiaridade e lembrança. Assim, a identificação é conhecida como lembrança por meio da recordação do objeto apresentado.

Taussik e Wagner (2006), enfatizam que, de acordo com a teoria do nível de processamento, a memória de longo prazo explica os conceitos de recordação e reconhecimento a partir da lembrança, processo que consiste na busca ou recuperação, seguida de um processo de reconhecimento ligado ao valor da informação recuperada. Desse modo o reconhecimento decorre da identificação correta da informação.

A tarefa de reconhecimento em relação à memória permite ao sujeito testar sua capacidade cognitiva, selecionando os itens que viu (os alvos) de uma lista que também inclui itens que não estavam na lista original (os distrativos) (STUART-HAMILTON, 2002). Ao realizar essas tarefas são acionadas imediatamente a Memória de Curto Prazo (MCP) seguida da Memória de Longo Prazo (MLP).

Assim a MCP é responsável pelo armazenamento da informação na mente por um curto período de tempo. Permite armazenar aproximadamente sete informações durante um intervalo de quinze segundos a um minuto. Esse período pode ser prolongado por meio do ensaio da informação, repetindo os pensamentos na mente, o que ajuda a movê-la para a memória de longo prazo (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2009).

Para mover as informações para a MLP requer atenção, flexibilidade mental e processos de reorganização do material, uma vez que consiste na capacidade ilimitada de armazenar informações durante um período de tempo indeterminado (TAUSSIK; WAGNER, 2006).

5. Metodologia

5.1 Sujeitos

A pesquisa foi realizada em uma amostra de dezessete idosos com idades compreendidas entre 60 a 79 anos, sendo nove do gênero feminino e oito do gênero masculino. A seleção dessa amostra ocorreu por meio da amostragem probabilística do tipo aleatória simples.

O critério de inclusão para participação na pesquisa refere-se apenas aos idosos associados ao grupo da terceira idade em um município do interior de Rondônia. Foram excluídos da amostra idosos não associados que participam com pouca frequência no grupo, com idade inferior a 60 anos e superior a 80 anos.

5.2 Instrumento

Foi realizada a aplicação da Bateria Geral de Funções Mentais (BGFM-4), Teste de Memória de Reconhecimento que permitiu avaliar e mensurar tanto a memória de curto prazo como a memória de longo prazo (TONGLET, 2007).

O teste corresponde um caderno com quatro páginas: frente, verso, páginas internas, esquerda e direita. A página da frente serve para a identificação do examinando o qual terá que preencher dados pessoais como o nome, data, a idade, a escolaridade, a profissão e o sexo, marcando um “x” para M se for masculino ou um “x” para F se for feminino, seguido da realização dos exemplos que possibilitam um treinamento antes da execução do teste propriamente dito.  A página do verso contém vinte figuras geométricas coloridas que foram empregadas para a memorização.

As duas páginas internas, numeradas por 2 e 3, contêm vinte figuras geométricas coloridas cada uma, de tal modo que as vinte figuras-modelos foram misturadas as outras vinte figuras distratoras. Os participantes tiveram que encontrar às figuras corretas, de acordo com o modelo apresentado.

5.3 Métodos

Conforme os objetivos propostos, o enfoque metodológico utilizado foi uma pesquisa com abordagem quanti-qualitativa, caracterizada pela quantificação dos dados para posterior comparação e análises. Trata-se de uma pesquisa de campo, de natureza original, a fim de contribuir com novas descobertas para evolução do conhecimento.

Caracteriza-se como descritiva, pois a análise e a interpretação desses dados foram fundamentadas teoricamente, objetivando a compreensão e explicação do problema pesquisado. Tem como princípio o método dedutivo, guiada por hipóteses, partindo de trabalhos realizados para a construção de um conhecimento particular.

5.4 Procedimentos

Para realização dessa pesquisa foi elaborado inicialmente um projeto, que a partir de um mapeamento de produções científicas sobre o tema a ser investigado buscou-se levantamento de dados e seleção do material pesquisado, obtido por meio de produção científica encontradas em livros e artigos, nas bases de dados como: Scielo, Google, PsycoInfo, Bvs-psi e RedePsi, tendo como  descritores o envelhecimento e memória na terceira idade.

A coleta de dados ocorreu nas dependências onde são realizados os encontros do grupo da terceira idade, no interior de Rondônia. Os idosos foram submetidos a um sorteio aleatório, nesse caso, 10% da população que correspondeu a um número de dezessete (17) idosos.

Após o sorteio, todos os participantes foram informados sobre os objetivos e procedimentos éticos como o sigilo das informações pessoais e o uso adequado dos dados coletados da pesquisa, dos riscos e benefícios. Foram esclarecidos ainda que a participação não era obrigatória e, a qualquer momento, poderiam desistir e retirar seu consentimento, bem como de que não haveria nenhum gasto ou cobrança referente a participação.

Outro aspecto ético assegurado foi quanto ao Termo de Consentimento Pós-Informado assinado pelos participantes. Posteriormente foram orientados quanto ao preenchimento das figuras do teste BGFM-4, seguindo as normas do manual.

A aplicação do instrumento de coleta de dados foi realizada coletivamente, com os idosos subdividindo-se em grupos com no máximo cinco integrantes cada, para a aplicação da BGFM-4, na realização de tarefas de reconhecimento de vinte figuras geométricas coloridas que foram empregadas para a memorização.

A correção dos dados teve como base a avaliação e interpretação dos resultados por meio do manual BGFM-4. >A correção foi feita utilizando o crivo de apuração, a partir do total de pontos de acordo com as tabelas de percentis, previsto no manual.

A análise dos dados no artigo será apresentada por meio de gráficos do tipo coluna contendo resultados por distribuições de faixa etária, gênero e profissão, descritos em percentagens e textos.

Para descrever o perfil da amostra segundo as diversas variáveis em estudo, foram feitos gráficos a partir da análise de dados realizada pelo programa computacional do software Microsoft Excel 2007.

6. Apresentação e Discussão dos Resultados

A memória na terceira idade foi investigada com a aplicação da BGFM-4 Teste de Memória de Reconhecimento, a fim de investigar tanto a memória de curto prazo (MCP) como a de longo prazo (MLP), em 17 idosos com idade entre 60 a 79 anos, os quais foram classificados em idosos jovens (60-69) e idosos velhos (71-79).

Dessa forma, o gráfico 1 ilustra a distribuição do número de participantes conforme o gênero.

Gráfico 1 – Distribuição em percentual do número de participantes conforme o gênero, Interior de Rondônia, 2012.<   Fonte: A autora (2012). Dos 17 idosos que participaram do estudo nove (9) participantes (53%) eram do gênero feminino, sendo do gênero masculino oito (8) participantes (47%). Para melhor compreensão dos resultados, segundo as variáveis em estudo, segue os gráficos com a apresentação do percentual da classificação dos participantes tanto na avaliação da MCP quanto da MLP, conforme cada característica: gênero, faixa etária, escolaridade e ocupação. Gráfico 2 – Percentual referente ao nível da memória de reconhecimento conforme o gênero, Interior de Rondônia, 2012.   Fonte: A autora (2012). Os participantes do gênero feminino apresentaram MCP nos níveis superior (40%) e médio superior (12%). De modo que apresentaram MLP nos níveis superior (23%); médio superior (6%); e médio (23%). Já o gênero masculino apresentaram MCP nos níveis superior (18%); médio superior (12%); médio (6%); médio inferior (6%); e inferior (6%). Apresentando MLP nos níveis superior (12%); médio superior (24%); e médio inferior (6%). Os dados apontam que as mulheres foram superiores aos homens ao avaliar tanto a MCP quanto a MLP. Nesse sentido, infere-se que o desempenho cognitivo esteja associado ao nível de compressão de ambos os gêneros, de modo que as mulheres possuem maior capacidade cognitiva para tarefas visuais, por se apresentarem mais detalhistas, e sensíveis à percepção, as quais obtiveram neste estudo melhores resultados. Assim, as mulheres têm uma capacidade inata de captar e decifrar os sinais não verbais, como um olhar atento para os detalhes (YASSUDA et al., 2006). Estudos realizados por Rueda e Sisto (2008), em 511 indivíduos de ambos os sexos, objetivou verificar evidências de validade quanto ao processo de resposta e desenvolvimento do Teste Pictórico de Memória. Os resultados evidenciaram que a pontuação total do teste diferenciou-se em função do sexo dos participantes, de tal forma que as mulheres apresentaram uma pontuação média maior que os homens em todos os casos. Verifica-se ainda, que é mais comum as mulheres participarem de atividades que estimulem ao rendimento intelectual voltado para atividades culturais, de leitura e em cursos como de culinária, artesanato, aperfeiçoamento e treinamento, o que favorece para o seu desempenho cognitivo. Por outro lado o fato dos homens terem obtido resultados inferiores às mulheres deve-se a necessidade de se estruturar financeiramente, onde tendem a realizar mais atividades ocupacionais (YASSUDA; LASCA; NERI, 2005; RIBEIRO, 2006). Gráfico 3 – Percentual referente ao nível da memória de reconhecimento conforme a faixa etária, Interior de Rondônia, 2012.   Fonte: A autora (2012). Os participantes idosos jovens (60-69) apresentaram MCP nos níveis superior (40%) e médio superior (6%). Já ao avaliar a MLP os idosos jovens mantiveram-se nos níveis, superior (24%); médio superior (12%); e médio (12%). Os idosos velhos (71-79) apresentaram MCP nos níveis superior (18%); médio superior (18%); médio (6%); médio inferior (6%); e inferior (6%). De modo que apresentaram MLP nos níveis superior (12%); médio superior (17%); médio (17%); e médio inferior (6%). Nos resultados das análises de correlação por faixa etária, verificou-se que os participantes idosos jovens obtiveram resultados superiores aos idosos velhos tanto ao avaliar a MCP quanto a MLP. Observa-se assim, que o aumento da idade esteve relacionado a um menor funcionamento cognitivo dos idosos, visto que é comum na terceira idade a ocorrência de declínio da capacidade cognitiva (STUART-HAMILTON, 2002; YASSUDA, 2006; RUEDA; SISTO, 2008). Em pesquisa realizada por Bezerra (2006), com um grupo de adultos, entre 47 a 61 anos, e idosos entre 66 a 88 anos, verificou-se que ao correlacionar as tarefas de reconhecimento da MCP e a MLP, os idosos jovens obtiveram melhores resultados do que idosos velhos. Entretanto, cabe destacar que o fato dos idosos velhos terem obtido resultados inferiores, está relacionado à mudança de foco da atenção durante a identificação das figuras apresentadas. Assim, se forem executadas com dificuldade na codificação e recuperação é provável que a eficácia com que essas atividades sejam realizadas diminua com a idade. Dessa forma, se a informação não for bem codificada e guardada na memória torna-se mais difícil de ser recuperada (ABREU, 2000; ARGIMON; STEIN, 2005). >Nessa perspectiva, não se deve afirmar que a memória piore com a idade ou que o esquecimento seja uma consequência inevitável do envelhecimento, uma vez que perdas na terceira idade são facilmente compensadas pelo uso de outras estratégias cognitivas como, por exemplo, prestar mais atenção no início da realização de uma atividade ou material apresentado ao idoso (RIBEIRO, 2006).

Ressalta-se ainda que, a ocorrência de alteração da memória na velhice também está relacionada a múltiplos fatores, dentre os quais destacam os fatores sociais, ambientais e biológicos, assim como, déficits no processamento da informação (YASSUDA et al., 2006).

Gráfico 4 – Percentual referente ao nível da memória de reconhecimento conforme a escolaridade, Interior de Rondônia, 2012.

 

Fonte: A autora (2012).

Os participantes com grau de escolaridade: Ensino Fundamental Completo apresentaram MCP nos níveis superior (47%) a médio superior (6%). De modo que apresentaram MLP nos níveis superior (35%); médio superior (6%); e médio (12%). Por outro lado os participantes com grau de escolaridade: Ensino Fundamental Incompleto apresentaram MCP nos níveis superior (12%); médio superior (17%); médio (6%); médio inferior (6%); e inferior (6%). Já ao avaliar a MLP apresentaram níveis, superior (23%); médio (18%); e médio inferior (6%).

Os dados mostram que os participantes com ensino fundamental completo obtiveram resultados superiores ao dos participantes com ensino fundamental incompleto tanto ao avaliar a MCP quanto a MLP. Com relação à escolaridade, as análises de correlação demonstraram níveis de capacidade cognitiva significativos para o teste avaliado, indicando que quanto maior a quantidade de anos estudados melhor o desempenho cognitivo.

Assim, infere-se que indivíduos mais escolarizados possuem maior capacidade cognitiva por apresentarem repertório de capacidade cognitiva superior, já que quanto maior o grau de escolaridade maior o nível de compreensão das dificuldades apresentadas.

Isso remete ao fato de que indivíduos com maior escolaridade possam estar mais engajados em atividades intelectuais, e maior acesso a entretenimentos culturais e a cursos de aperfeiçoamento e treinamento (YASSUDA; LASCA; NERI, 2005; RIBEIRO, 2006).

>A partir desse pressuposto, a capacidade cognitiva dos idosos pode estar relacionada a melhores condições de ambiente, em que o fator sociocultural assume contribuição fundamental, tendo em vista, que pode influenciar na forma como os idosos observam suas preferências e oportunidades de envelhecimento (RIBEIRO, 2006; ALBERTE, 2009).
Observa-se assim, que o baixo grau de escolaridade esteve relacionado a um menor funcionamento cognitivo dos idosos (ARGIMON; STEIN, 2005; YASSUDA et al., 2006).

Gráfico 5 – Percentual referente ao nível da memória de reconhecimento conforme a ocupação, Interior de Rondônia, 2012.

 

Fonte: A autora (2012).

Os participantes aposentados apresentaram MCP nos níveis superior (40%) a médio superior (12%). De modo que apresentaram MLP nos níveis superior (17%); médio superior (12%); e médio (23%). Os participantes que exercem atividade remunerada apresentaram MCP nos níveis, superior (18%); médio superior (12%); médio (6%); médio inferior (6%); e inferior (6%). Apresentando na MLP níveis, superior (18%); médio superior (18%); médio (6%); e médio inferior (6%).

Os dados revelam que os participantes aposentados obtiveram resultados superiores ao avaliar tanto a MCP quanto a MLP.

No entanto, os resultados obtidos excluem a hipótese de que idosos que exercem atividade remunerada apresentam indicativos de memória de reconhecimento mais altos em correlação aos aposentados, visto que é possível verificar que os aposentados apresentaram maior capacidade cognitiva em relação à memória de reconhecimento.

Isso remete a Cancela (2007), a qual afirma que indivíduos que realizam atividades que estimulam a mente estão em correlação com melhor desempenho cognitivo.

Partindo dessa premissa, embora os idosos que exercem atividade remunerada mantenham-se em constante atividade, isso não influenciou na obtenção de melhores resultados, pois o trabalho que realizam envolvem atividades físicas voltadas para o serviço rural e braçal, não desenvolvendo nenhuma atividade que envolva níveis cognitivos.

Por outro lado, os idosos aposentados possuem maior disponibilidade para participar de atividades sociais e de lazer, assim como, mantêm-se intelectualmente ativos já que dispõem de mais tempo para concentrar-se em uma determinada atividade.

Possibilitando ao idoso obter maior engajamento à práticas como exercícios físicos, visitas e auxílios aos parentes, participação em trabalhos voluntários ou mesmo na frequência de realização de serviços de casa, compras e pagamentos, as quais estimulam a capacidade cognitiva relacionada à memória de reconhecimento dos idosos (RIBEIRO, 2006).

Supõe-se, portanto, que o fato dos participantes que exercem atividade remunerada terem obtido resultados inferiores aos aposentados justifica-se por considerar os fatores intrínsecos do envelhecimento. Esses fatores são caracterizados por hábitos pessoais, exercícios, exposições às demandas ambientais e constituição física, os quais favorecem para um melhor desempenho cognitivo (ALBERTE, 2009).

7. Considerações Finais

O presente estudo teve como objetivo verificar se a capacidade cognitiva da memória de reconhecimento de curto prazo e de longo prazo é influenciada pelos efeitos do envelhecimento na terceira idade. Dessa forma, a partir da revisão de estudos teóricos sobre envelhecimento e memória na terceira idade verificou-se que a capacidade cognitiva da memória diminui à medida que as pessoas envelhecem.

Desse modo o comprometimento da memória pode estar relacionado a diversos fatores significativos para a cognição na velhice, como sociais, ambientais e biológicos.

>Os resultados mostram que as variáveis como gênero, faixa etária, escolaridade e ocupação estiveram relacionadas ao desempenho cognitivo dos participantes, apresentando capacidades cognitivas satisfatórias para o teste avaliado. Contudo o que difere de um resultado para outro é o desempenho que os participantes demostraram durante a avaliação, tanto da MCP quanto da MLP.

Por esse estudo conclui-se que, independente da classificação do nível de memória, os idosos mantiveram-se no nível adequado em relação à memória de curto e longo prazo. Fato que demonstra que o envelhecimento, até este momento do ciclo de vida dos idosos, não alterou significativamente a capacidade cognitiva da memória de reconhecimento.

Nesse sentido, ressalta-se que o envelhecimento é um processo que depende, além de mudanças físicas, comportamentais e sociais, de fatores intrínsecos e extrínsecos do envelhecimento caracterizados por fatores psicossociais favoráveis para a promoção de um envelhecimento saudável. Nestes, destacam a educação, ocupação, cuidados com a própria saúde, motivação e rede de suporte social e emocional.

Esses fatores permitem trabalhar com a prevenção de demências, e a identificação precoce de incidência a enfermidades relacionadas à memória.

Deve-se ressaltar a relevância do tema desse estudo, visto que os níveis da capacidade cognitiva da memória de reconhecimento avaliados favorecem a promoção da saúde e autonomia dos idosos.

Sobre o Autor:
Lusilene Mariano de Sá – Psicóloga e Docente. Atualmente trabalha na empresa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFRO. Rondônia/RO.